Voo Rasante

quinta-feira, março 23, 2006

MALVINAS

UM PASSADO INQUIETANTE
Os anos vão se passando, e sempre as revistas e sites especializados nos assuntos de defesa, voltam a falar de um conflito que aconteceu em 1982. A guerra das Malvinas.

Por que será que este conflito causa ainda tanto interesse dos pesquisadores, e mesmo nos dias atuais, algumas informações são guardadas e outras liberadas só agora? Talvez a diplomacia envolvida seja o fato mais preocupante.

Para quem não sabe, o fato gerador desta guerra, foram as ilhas chamadas pelos Argentinos de Malvinas, e pelos Ingleses de Falklands. Como estas ilhas ficam muito mais próximas a costa Argentina, no Atlântico sul, o mais lógico é que estas pertencessem aos nosso país vizinho, mas por questões do passado, que não pretendo entrar no detalhe, elas estão em poder da Inglaterra, e isso é algo que o povo Argentino nunca engoliu e até os dias atuais não aceitam esta situação.
Filmes e livros, estão sempre relembrando o conflito com novas informações.


Muito mais do que uma guerra que envolveu um país Europeu e um país Sul Americano, independente de quem ganhou esta guerra, se realmente houve vitória e derrota o que mais desenvolve assunto para artigos e livros são aqueles acontecimentos que estavam nos bastidores deste evento e que com o passar dos anos, estão sendo contados e cada vez mais merecendo estudos especializados de geopolítica e defesa.

General Galtieri, que era o Presidente da Argentina e a primeira Ministra Inglesa, Margareht Thatcher. (Dama de ferro).


Segundo um tratado, firmado em 2 de setembro de 1947 no Rio de Janeiro, denominado TIAR (Tratado Interamericano de Assistência Recíproca). Este foi firmado por todos os países que compõem a Organização dos Estados Americanos, tem como propósito a manutenção da paz e a segurança do continente através da mútua proteção dos países das Américas, contra a ameaça de qualquer país não Americano. Desta forma, os países da América Latina viram-se obrigados legalmente a apoiar o conflito e neste caso a Argentina.O problema é que os Estados Unidos também faziam parte deste tratado mas também de outro, com a OTAN (Organização Tratado do Atlântico Norte). Mas de forma bastante ingênua, os presidente Argentino achou que os EUA fossem apoiá-los neste conflito, esquecendo-se do histórico convívio histórico entre Estados Unidos e Inglaterra com a cooperação mútua entre eles.

Situe-se no conflito.


Para os Argentinos foi surpresa que os Americanos apoiassem a Inglaterra, mas para o resto do mundo não, mesmo que isso tenha acontecido “por debaixo dos panos” eles deram bastante apoio aos Ingleses, fornecendo uma boa quantidade de armas e material de suprimento logístico para que os Ingleses se deslocassem do Atlântico norte para o Atlântico sul. E como ficou o Brasil e os outros paises sul americanos nesta história?
Nem todas as informações estão hoje disponíveis hoje para pesquisa, e de forma “conta gotas”, com o passar dos anos estão sendo reveladas.


Caça Inglês, Sea Harrier - este foi o terror dos Argentinos. Eles estavam armados com mísseis fornecidos pelos americanos, e a pior notícia: programados com os códigos dos radares Argentinos.

De cara um país que tem conflitos históricos com a Argentina, optou por apoiar a Inglaterra, e este país foi o Chile. O Peru apoiou abertamente a Argentina, transferindo para eles, diversos tipos de equipamentos, entre eles alguns Caças Mirage 5, e o Brasil, ficando numa saia justa deu apoio sim, porém na minha visão menos que deveria, mas ainda sim deu o apoio e o que se sabe até agora, é que foi emprestado com o nome de Leasing, dois aviões de patrulha marítima usados pela Força Aérea Brasileira, chamados de P111 e apelidados de Bandeirulha (Um avião chamado Bandeirante usado para patrulha). Trata-se de um avião de transporte chamado de Bandeirante, que foi transformado em um avião militar com radar especial dentre outros equipamentos além de armas, para uso em patrulhamento marítimo bastante útil e usado até os dias atuais pela FAB.
O único outro pais vizinho que tenho mais informação sobre a posição em relação ao conflito, foi o Uruguai, que decidiu ficar neutro.
Avião Brasileiro Bandeirante de patrulha marítima, que foi "emprestado" aos Argentinos para o conflito. Atitude correta.

Durante o desenrolar do conflito, muita coisa aconteceu, e perdas e danos provocados pelos dois lados, se fizeram bastante visível para ambos, mesmo que a Inglaterra tenha sido o vencedor da guerra, tomando de volta as ilhas Malvinas/Falklandas, logo após a Argentina ter se rendendo a terminando o conflito, o que pouco se sabe mas que até hoje desperta curiosidade dos pesquisadores do meio, é que mesmo perdendo a guerra, a Argentina lutou bravamente, mesmo com muito despreparo e erros grosseiros militares.
Algumas cenas de aviões destruídos pelos Ingleses nas ilhas Malvinas e logo acima, um avião da Marinha Argentina, se preparando para decolar do Porta Aviões, 25 de Maio.

A primeira perda Argentina, foi um submarino, e logo após o grande navio cruzador General Belgrano, que depois do porta aviões 25 de Mayo, este era o segundo maior e mais poderoso navio da marinha. Depois desse acontecimento, boa parte dos navios da marinha Argentina, foi "guardada" no porto, pelo medo de ser afundado.(falta de preparo berrante).

A primeira perda Inglesa foi um navio Destróier Sheffield, o que ajudou a motivar os Argentinos e recuperar o moral perdido com as duas primeiras perdas.

Navio Argentino, General Belgrano e seus últimos momentos afundando. Duro golpe no início da guerra.

Na verdade os Argentinos causaram sérias perdas ao poder naval Inglês, com o afundamento não imediato de um porta aviões e do destroier HMS Antelope, além de sérias avarias a outros 3 navios.

O ataque navio Atlantic Conveyor Atlantic Conveyor onde estavam armazenados muitos harriers e helicópteros Chinook do qual restou apenas um. Seu convés foi otimizado para a decolagem destas aeronaves atés os porta-aviões Hermes e Invencible. Este foi, e é até hoje o um dos maiores orgulhos dos nossos visinhos, que surpreenderam com um ataque digno de filme, e que pegou o inimigo de uma forma espetacular.

HMS Conveyor após o ataque.

Acima, o porta aviões Inglês, HMS Invincible. O meio de superfície mais letal usado na guerra.

Logo acima, o porta aviões Argentino 25 de mayo. Na hora que precisaram dele a catapulta estava com defeito, e levaram-o para o porto com medo de ser afundado.

Mas voltando ao ataque, este foi realizado com uma esquadrilha de aviões da Marinha Argentina, composta por dois Super Entandart, estes armados com o míssil Exocet, além quatro aviões A4 Skyhawk, armados com bombas que foram jogadas em cima do navio Inglês, isso após ter sido atingido pelo Exocet.






Acima o Avião que obteve maior sucesso, com o lançamento do míssil Exocet, o Super Entandart, e ao lado o A4 Skyhawk, lançando bombas. Aviação naval Argentina, foi a maior força entre as 3 que aquele país pode desenvolver no conflito.



HMS Antelope sendo atingido. O Argentinos acertaram os tiros.

Em 1982, o HMS Coventry, se converte em tumba para muito Ingleses. O lado cruel de qualquer guerra.

HMS Conveyor após o ataque.

Hoje existe uma lembrança de tragédia e orgulho, que mesmo tendo levado muitas vidas de seu povo, ficou a sensação de que mesmo perdendo eles conseguiram bater bastante também, e este sentimento alimenta até hoje um sutil orgulho de terem se aventurado em uma causa que consideram justa, mesmo que os meios não tenham sido os melhores, mas que algumas vitórias, podem aliviar a dor das perdas consideráveis e a sensação de um aprendizado doloroso.
Um dos resultados deste conflito, foi que Brasil e Argentina após a cooperação, ficaram mais próximos e começaram a discutir parcerias, comerciais e tecnológicas.

O sonho de obter de volta as ilhas.

Até hoje as ilhas Malvinas, são reivindicadas pelos Argentinos como patrimônio nacional, deixando este assunto ainda mal resolvido.


Esdras Siqueira Franco

Fontes de pesquisa além de alguns anos lendo artigos sobre o assunto:
Revista Força Aérea nª42
Revista Asas nª29

10 Comments:

  • Muito bom, Esdras!
    Gostei da sua iniciativa de transpor este resgate histórico da Guerra das Malvinas, da Revista Força para este belo blog.
    Além desta matéria, as outras também são bastante relevantes.
    Continue assim!

    By Anonymous Marco Franco, at qui mar 23, 11:15:00 PM  

  • Obrigado Marco!!!!

    By Blogger Esdras, at sex mar 24, 08:13:00 PM  

  • Esdras,

    Excelente trabalho de compilação do conhecimento que você adquiriu ao longos dos anos. A indicação das fontes de pesquisa também é muita válida.

    Jorge

    By Anonymous Jorge, at dom abr 09, 02:52:00 PM  

  • Prezado Esdras:
    Não foram só dois "Bandeirulhas" que foram cedidos pelo Brasil à Argentina. Doze aviões "Xavantes" também o foram.
    Parabéns pela pesquisa.
    Cláudio Severino da Silva
    jambock@brturbo.com.br

    By Anonymous Anônimo, at qui mar 08, 10:36:00 PM  

  • Parabéns pela pesquisa. Particularmente, enquanto latino americano, também sinto-me derrotado nesta guerra. O Chile, infelizmente, em muitas questões porta-se como se fosse um país do hemisfério norte, inclusive sempre teve diferenças históricas com seus vizinhos mais próximos (Argentina, Peru e Bolívia). Talvez, se fosse o contrário - algum grande país tomando a Ilha de Páscoa -, estes vizinhos apoiariam os chilenos. E o Brasil, governado por militares covardes, poderia ter contribuído mais diretamente nesta guerra. Se não tem coragem suficiente para honrar compromissos, que não se comprometa; isto vale também para as relações diplomáticas.

    By Anonymous Anônimo, at qui nov 22, 01:18:00 PM  

  • Caro Edras: gosto muito do assunto Malvinas e talvez ainda poste um blog sobre ele. existem algumas incorreções no que voce postou. os argentinos não afundaram nenhum porta aviões inglês e sim o porta-conteineres Atlantic Conveyor onde estavam armazenados mutios harriers e helicópteros Chinook do qual restou apenas um. seu convés foi otimizado para a decolagem destas aeronaves atés os porta-aviões Hermes e Invencible. Os mísseos do Harriers não estavam programados com o código dos radares argentinos. eram mísseis AIM-9L "all aspect" que buscavam seus alvos pelo calor emitido por ele. nada tem a ver com o radar da aeronaves-alvo. seu quiser discutir mais o assunto meu email é Jonemir@Gmail.com . um abraço

    By Anonymous Jonemir@Gmail.com, at seg ago 04, 09:48:00 PM  

  • Caro Jonemir,

    Obrigado pela dica, e já fiz algumas alterações.
    Por email, vou pedir mais dicar.

    Abraço
    Esdras

    By Anonymous Esdras, at ter ago 05, 06:58:00 PM  

  • Gosto muito desse assunto e quero parabeniza-lo pela matéria.quanto ao brasil,pais de cagão eterno lacaio do USA,não quis ajudar a Argentina, o que deu ou emprestou para a Argentina foi nada em relação ao que poderia ajudar.

    By Blogger almir, at sáb mar 05, 10:50:00 PM  

  • Muito legal,na época torci para a Argentina se da bem nesta enrrascada, que o Gal.Leopoldo Galtieri entrou,mas confiar nos USA para disputar as ilhas foi muita pretensão dos Hermanos e ainda contar com Brasil,país de cagão lacaio dos Estados Unidos.

    By Anonymous almir, at sáb mar 05, 10:58:00 PM  

  • Na verdade o Brasil não tinha mesmo que se meter num assunto que não lhe dizia respeito. O general Figueiredo fez bem em "manter a neutralidade" embora pendeu para o lado dos hermanos...Chamar os militares de covardes é fácil, eu queria ver se eles tivessem feito alguma besteira e colocassem em risco a paz do povo brasileiro. Essa mídia tendenciosa iria culpar a "ditadura" até hoje.

    By Anonymous Anônimo, at dom nov 13, 07:59:00 PM  

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